Metrô que circulará em Sobral

Calçados aceleram crescimento de Sobral (Ceará)

FÁBIO GUIBU

ENVIADO ESPECIAL A SOBRAL (CE)
Em Sobral (a 235 km de Fortaleza), a iniciativa privada tirou da prefeitura o papel de maior empregadora. Hoje é um dos municípios mais prósperos do Nordeste.

Atualmente com mais de 180 mil moradores, o município ocupa a quarta colocação no ranking dos maiores exportadores do Estado, com US$ 106,8 milhões em vendas de janeiro a agosto deste ano.
Esse valor equivale a 13,1% de tudo o que o Estado vendeu a outros países no primeiro semestre de 2012.
Segundo o Ipece (Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará), os calçados representam 98,8% das vendas externas de Sobral.
Responsável pela fabricação do produto na cidade, a indústria gaúcha Grendene, maior empresa da região, emprega aproximadamente 17 mil pessoas, ou 9% da população. A prefeitura mantém 7.000 servidores.
A superintendente regional da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), Daniela Costa, estima que a indústria injeta mensalmente na economia local R$ 14 milhões em salários, o equivalente a R$ 182 milhões anuais, ou 7,3 vezes a arrecadação própria obtida pela prefeitura em 2011.
"Estamos vivendo um círculo virtuoso", disse a superintendente. "Temos a economia aquecida e uma boa qualidade de vida."
Das 5.400 empresas em operação no município, 80% são dos setores de comércio e serviços. Juntos, os dois empregam 10 mil pessoas, segundo a dirigente.
O município tem ainda três universidades públicas, duas faculdades e 20 mil universitários, diz o secretário municipal de Tecnologia e Desenvolvimento Econômico, Pedro Aurélio Aragão.
Editoria de Arte/Editoria de Arte/Folhapress
RAIO-X DE SOBRAL

Vários empreendimentos públicos e privados estão sendo erguidos. A cidade receberá nos próximos meses um shopping com 150 lojas, uma torre hoteleira e outra empresarial, além de um hospital estadual com 382 leitos e 70 vagas de UTIs.

"LUVAS"
 
O rápido desenvolvimento da região, porém, gerou gargalos na infraestrutura. A falta de imóveis elevou os preços dos aluguéis e fez ressurgir as "luvas" nos negócios.
O aluguel comercial, disse o empresário Antonio Melo, 74, dono de uma imobiliária na cidade, subiu até 500% nos últimos sete anos.
Segundo ele, as "luvas" cobradas por inquilinos para ceder seus pontos passou a ser comum -há casos de pedidos de até R$ 100 mil.
Nas ruas, a construção de um metrô de superfície gera polêmica. Para instalar os 13 km de linhas, árvores foram cortadas e parte de uma ciclovia, destruída. Algumas casas ficaram com suas portas a três metros dos trilhos.
O metrô deverá ser inaugurado pelo governo do Estado ainda neste ano.


Havaianas quer vender chinelo para chinês e indiano

MARIANNA ARAGÃO

DE SÃO PAULO
Depois dos europeus, a fabricante Alpargatas quer calçar suas sandálias Havaianas nos milhões de pés de chineses e indianos.

Desde o início do ano, a companhia brasileira lançou iniciativas para aumentar a presença da marca, que completou 50 anos em 2012, nesses países. Elas incluem aumento de distribuição, ações de marketing e relacionamento com os clientes locais nas mídias sociais.
Na China, onde atua há quatro anos com representantes, a Alpargatas pretende dobrar os atuais 200 pontos de venda nos próximos anos.
A Índia começou a ser explorada neste ano, com a contratação de um distribuidor local. Paquistão e Indonésia também foram incluídos na rota de exportação.
Atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia são os maiores consumidores de calçados no mundo, com 2 bilhões de pares comprados em 2010, segundo dados do Iemi (Instituto de Estudos e Marketing Industrial).
"Os indianos já tem o hábito de usar o chinelo de dedo. O desafio será convencê-lo a usar um produto mais caro, porém durável", diz Carla Schmitzberger, diretora de Havaianas.
Segundo a executiva, o preço médio do produto no país é US$ 1,50. Um modelo da marca brasileira custa entre US$ 16 e US$ 18.
No mercado chinês, os desafios são outros. O primeiro é o clima -faz frio boa parte do ano.
Mas o principal será enfrentar as cópias de seu próprio produto, um problema que a Alpargatas tenta combater. Entre 2010 e 2011, o volume de apreensões lideradas pela empresa mais que dobrou, para 840 mil pares.
"Há muita imitação, mas os chineses também gostam de marcas, e é nisso que vamos focar", diz Carla.
Ela afirma que as lojas multimarcas que vendem as Havaianas são localizadas em shoppings ou em ruas de comércio de alto padrão.
Ainda não há previsão de abertura de lojas próprias.
PREÇO
O preço da sandália no exterior, onde é apresentada como produto premium, mais caro, faz com que esses mercados sejam ainda mais estratégicos para a empresa.
No segundo trimestre de 2012, a receita líquida com Havaianas no mercado externo aumentou 53,2%, ante 7,4% no Brasil.
A Europa é um dos principais mercados. Em 2010, a companhia iniciou a abertura de lojas próprias em cidades europeias, começando com Barcelona. Hoje são 14 unidades.


Sorvetes se multiplicam com a opção pelo sertão

FÁBIO GUIBU

DO ENVIADO ESPECIAL A SOBRAL (CE)
A fama de cidade em expansão, com população jovem e clima quente, levou os irmãos empresários Daniel e Diego Lima Gonçalves Leite a trocar a capital Fortaleza pela sertaneja Sobral.

Com os R$ 160 mil que juntaram com a venda de um mercado e uma distribuidora de sapatos, os dois abriram uma franquia de milk-shakes e sundaes na cidade.
Os irmãos investiram R$ 130 mil no negócio e pagaram mais R$ 30 mil de "luvas" para alugar um sobradinho de 55 metros quadrados no centro comercial.
"Nossa primeira opção era ficar em Fortaleza, mas fomos recomendados a procurar uma cidade com menos concorrência", disse Daniel, 22.
A opção por Sobral, conta, surgiu a partir de pesquisas na internet. "Não conhecíamos a cidade, mas os perfis nos sites nos agradaram."
"Vimos uma cidade quente, ajeitada, com muitos universitários e um perfil econômico em ascensão", afirmou.
A franquia começou a funcionar em 6 de junho. O inverno sem chuvas ajudou, e os negócios, segundo ele, "começaram muito bem".
As vendas aumentaram com a chegada do verão nordestino, e a expectativa é recuperar o investimento em oito meses, dez a menos que o estimado pelo franqueador.
"Valeu a pena demais", disse Daniel, que chegou a morar dois meses no depósito da própria loja para economizar com o aluguel.
Hoje, os irmãos vivem em uma casa alugada de três quartos e aumentaram o número de empregados no negócio, de quatro para nove.
A movimentação no local atrai outros pequenos empreendedores, como sorveteiros, que estacionam seus carrinhos na calçada para aproveitar a sua clientela.
"Uma coisa acaba atraindo outra, e, no fim, tem espaço para todos", afirmou Daniel.
0 Responses

Postar um comentário