História > Migrações das Tribos Eslavas


                                     
Representação de uma aldeia eslava.


Desde o século VI d.C. são conhecidas as incursões dos eslavos ao Império Bizantino, o que os levou aos Bálcãs e à Grécia




Terras eslavas em cerca de 500-550 d.C..


Origens

No principio de nossa era, as tribos eslavas eram prováveis habitantes da margem Oriental do rio Vístula. De acordo com a teoria da terra natal oriental anterior a se tornarem conhecidos do mundo romano, as tribos falantes de eslavo faziam parte das muitas confederações multi-étnicas da Eurásia.

Os historiadores Procópio e Jordanes nos séculos VI e VII d.C. localizam as tribos eslavas dos Sclavini e a confederação Antes ao norte do rio Danúbio, numa faixa que se estende desde o alto Vístula até o Dniepere. Os Veneti, conhecidos desde os séculos I e II d.C., não possuem uma localização precisa, mas esta mesma região não estaria longe de suas origens.

Migrações entre os séculos V e VII





Mapa mostra a expansão eslava durante o período medieval.

Entre os séculos V e VI iniciou a grande migração dos eslavos, que ocuparam as terras abandonadas pelas tribos germânicas que fugiam dos que fugiam dos hunos e de seus aliados: para oeste no interior entre o Oder e a linha Elba-Saale; para o sul na Boêmia, Morávia, maior parte da atual Áustria, na planície da Panônia e nos Bálcãs; e para o norte ao longo do alto Dniepre.

Por volta do século VI, os eslavos apareceram nas fronteiras bizantinas em grandes quantidades. Os registros bizantinos observam que a grama não cresceria novamente nos lugares onde os eslavos haviam marchado, de tão numerosos que eram. Conforme um deslocamento militar até o Peloponeso e a Ásia Menor, relatou-se haver assentamentos eslavos. Este deslocamento para o sul tem tradicionalmente sido vista como uma expansão invasiva. No final do século VI, os eslavos tinham se estabelecido na região dos Alpes orientais.

Estabelecimento e formação dos primeiros estados

Quando seus movimentos migratórios terminaram, apareceram entre os eslavos os primeiros rudimentos de organizações de estado, cada um encabeçado por um príncipe com um tesouro e uma força de defesa. Além disso, foi o início da diferenciação de classes, e nobres juravam lealdade ou aos imperadores francos/sacro-romanos ou aos imperadores bizantinos.



Representação de camponês e um nobre.

As tribos se constituíam num sistema social baseado numa hierarquia de famílias que se agrupavam à volta da família dos chefes, tal como ocorre em tantos povos primitivos.Tinham seus chefes, e esses chefes eram unidos em pequenas confederações, lideradas por um príncipe, que organizava a defesa geral.

Praticavam a agricultura, plantando especialmente centeio, trigo e linho. Cada família cultivando um pequeno terreno fértil em volta, usando de engenhos elementares. Também criavam gado.




Jarro com calendário agrícola, século IV.

As casas eram construídas com toras de madeira ou terra batida e escavações recentes demonstram a existência de uma arte florescente e extremamente rica.

As tribos foram capazes não só de criar dinâmicos centros administrativos, baseados na assembleia tribal e na autoridade do chefe tribal (Wiślica, Poznań, Gniezno), centros de comércio (Szczecin, Wolin, Kiev, Novgorod) e religiosos (Monte Ślęża).




Tribos eslavas por volta do século VII.

Nos inícios do século IX, na “Descrição dos povoados ao norte do Danúbio” (em latim: Descriptio civitatum et regionum ad septentrionalem plagam Danubii) do Geógrafo Bávaro (cerca de 850), apareceram já nomes concretos das tribos eslavas que habitavam nas bacias do Vístula e do Oder: goplanos, dadossezanos, eslezanos, bobranos, opolanos, vistulanos, lendianos.

Graças aos intensos contatos comerciais, começaram a desenvolver-se as cidades situadas nas rotas de comércio, e por causa dos conflitos armados, os moradores começaram a fortificar as cidades deles.

No século VII, o mercador franco Samo, que ajudou os eslavos a atacar seus governantes ávaros, tornou-se o governante do primeiro estado eslavo conhecido na Europa Central. Samo construiu um reino desde os Alpes Austríacos até o mar Báltico, com seu núcleo constituído de Sérvios, Morávios, e eslovacos.



Reino de Samo.

O chamado Reino de Samo resistiu às pressões do poderoso império Avar, com base nas terras baixas da Hungria, e defendeu o seu território contra as forças dos francos ocidentais, embora apenas com êxito parcial. Porem tal reino não dura, seguindo-se um longo período de divisão.

Isto levou à fundação de subsequentes estados eslavos, que surgiram no mesmo território desse reino, sendo a Carantânia o mais antigo deles. Também muito antigos são o Principado de Nitra e o principado morávio. Neste período, existiram grupos e estados eslavos centrais tais como o Principado de Balaton, mas a subsequente expansão dos magiares, assim como a germanização da Áustria, separaram os eslavos do norte dos eslavos do sul. O Primeiro Império Búlgaro, governado por um cerne de protobúlgaros, foi fundado em 681. Após sua subsequente eslavização, ele foi essencial na disseminação da literatura eslava e na cristianização do resto do mundo eslavo.

Fontes: Templo do conhecimento / www. pt.poland.gov.pl / Wikipédia / www.mzv.cz / www.ecclesia.com.br apud Valter Pitta em O Fascinante Universo da História
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