México X China


México pode ganhar negócios da China - literalmente

Comprar produtos "made in China" já não é mais um negócio tão bom. Uma consequência disso: as empresas que transportam mercadorias fabricadas no México estão tendo mais movimento.
Há muito a China é o destino para empresas que buscam cortar custos. Uma enorme população de trabalhadores ainda não aproveitados, juntamente com uma liderança empenhada em expandir a infraestrutura industrial do país, tornou a China o melhor lugar do mundo para fabricar produtos de maneira barata. Mas nada dura para sempre.

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Bloomberg News
 
Trem de carga no México. Vários setores no país, inclusive o de transportes, podem se beneficiar do fato de a produção na China estar ficando mais cara.
O contingente de trabalhadores chineses está diminuindo. A política chinesa do filho único e a preferência cultural pelos meninos levaram a uma redução na população de jovens, e especialmente das mulheres, que formam a maior parte da mão de obra nas fábricas de vestuário e de eletrônicos. A Organização das Nações Unidas prevê que o número de mulheres com 15 a 24 anos na China vai cair de 106 milhões em 2010 para 92 milhões em 2015. Acrescente-se a maior prosperidade da população, e o resultado é que os custos trabalhistas estão subindo mais do que poderia ser compensado pelo aumento da produtividade nas indústrias chinesas.
Além disso o custo dos terrenos comerciais disparou, enquanto os preços da energia, controladas pelo governo, estão se aproximando dos preços de mercado. Nos últimos cinco anos o yuan subiu 30% em termos ponderados pelo comércio exterior, e continuará a subir gradativamente. Não admira que o preço das importações vindas da China, inalterado há muitos anos, venha aumentando desde o final de 2010.
Problemas com a cadeia de suprimentos também têm levado as empresas a repensar a terceirização. Quando a demanda caiu drasticamente após a crise financeira de 2008, muitas viram seus estoques presos em navios vindo lentamente da China. A volatilidade dos preços de combustíveis tornou os custos de transporte mais incertos. O tsunami do ano passado no Japão e as inundações na Tailândia mostraram bem a fragilidade das longas cadeias de fornecimento.
A mudança na dinâmica dos custos incentivou as opiniões esperançosas de que os fabricantes americanos vão transformar o "out-sourcing" em "in-sourcing", passando a recorrer a fornecedores locais, e é verdade que algumas empresas estão trazendo suas operações de volta para os Estados Unidos. Numa teleconferência de divulgação de resultados na quinta-feira, a Carlisle Cos. disse que estava intensificando sua produção de pneus no Estado americano do Tennessee porque, segundo o diretor-presidente David Roberts, "podemos, na verdade, fabricar tão barato, ou mais barato aqui nos EUA do que na China".
Mas para muitas empresas, uma iniciativa melhor seria reforçar a produção no México. Deixando de lado as preocupações com segurança, os salários são substancialmente mais baixos do que nos EUA. As estatísticas comerciais recentes sugerem que as empresas já estão fazendo isso. Os trens e caminhões transportaram 8,7% a mais, em peso, do México para os EUA nos primeiros 11 meses do ano passado do que um ano antes.
O México e suas empresas foram gravemente prejudicados nos últimos dez anos pela perda de exportações para a China. A mudança no panorama do comércio exterior pode trazer um alívio para os problemas econômicos e sociais mexicanos, que têm desencorajado alguns investidores de colocar dinheiro no país.

Fonte: The Wall Street Journal

Debate 1: E o México está errado??
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