Por que estudar Engenharia?



30/11/2011

O engenheiro está em alta.

A previsão para os próximos dez anos é boa, incluindo valorização de salários para a categoria.

Muitas notícias, não só do Brasil, mas também da Alemanha e Europa, apontam a falta de engenheiros no mercado profissional. Mas pode acreditar: o engenheiro no Brasil está em alta! A previsão para os próximos dez anos é boa: maior número de candidatos ao vestibular, maior número de vagas e de cursos, maior número de universitários e de concluintes. Isso é o que Paulo Nascimento e Rafael Pereira do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) acreditam e informaram numa palestra organizada pelo Centro de Estudos Avançados da Unicamp. "Mantida essa tendência, não vemos para os próximos dez anos um problema quantitativo, ou seja, o risco de faltar pessoas diplomadas em engenharia", afirmaram os pesquisadores.

Esses dados contrariam pesquisas feitas no primeiro semestre deste ano, que informavam ser o Brasil o terceiro país no mundo com maior escassez de talentos. Para o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru, em entrevista à BBC Brasil, estimular a opção de estudantes pela área de exatas é de fundamental valia. "Na Índia, dois terços dos estudantes universitários estão matriculados em cursos de ciências exatas e engenharia. No Brasil são apenas 14%". Isso mostra que, embora existam mais formandos na área, a visibilidade da mesma ainda é ínfima em comparação a outros países.

Essa mesma pesquisa mensurou os paises onde há mais empregadores com dificuldades de preencher vagas, estando o Brasil com 57%, seguido pelos EUA (52%) e a Argentina (51%). Para eles, a principal razão das dificuldades em preencher vagas de trabalho são:

- Falta de experiência dos candidatos  28%
- Ausência de candidatos  24%
- Falta de conhecimentos técnicos básicos e específicos da função  22%
- Falta de conhecimento sobre a área de atuação ou qualificação formal da indústria  15%

Nascimento apresentou outras dificuldades, como a carência de educação básica, por exemplo, que acaba por ser um grande obstáculo para o estudante na conclusão do curso. A localização espacial da formação de engenheiros, outro ponto discutido, é muitas vezes concentrada em regiões específicas e difere algumas vezes das regiões com demanda de serviço.

Sendo o Brasil a futura sede de eventos globais, como da Copa de 2014 e das Olimpíadas de 2016, muitas oportunidades de emprego estão surgindo, dentre elas especialmente nas áreas técnicas e sobretudo na área de engenharia, e em funções como motoristas, operários e operadores de produção. Mas essa novidade esbarra novamente na falta de talentos especiais e conhecimentos específicos dos profissionais. Segundo Rafael, "um engenheiro que trabalha há muitos anos em finanças, dificilmente será empregado novamente, por exemplo, na construção civil", mas isso não reforça uma escassez crônica e generalizada desta mão-de-obra qualificada, pois esses ainda são profissionais formados, especializados e com experiência trabalhística que "poderiam retornar às atividades de origem" dependendo do tanto de tempo que estão fora.

Outro plano para manter a área de engenharia em crescente visibilidade, apontado por Rafael Pereira, é tido como emergencial: a "importação" de engenheiros, o que asseguraria a execução de tantas obras planejadas para o Brasil. "O número de engenheiros estrangeiros vem crescendo um pouco desde 2001. Mas ainda não ultrapassa o nível de contratados no início da década de 90 e, proporcionalmente aos brasileiros, é ainda um número muito pequeno. Por isso, pensar na hipótese de importação desses profissionais seria acupuntura, algo realmente pontual, para um ou outro setor," afirmou.

Assim, mesmo com alguns contras, os prós acabam sendo maiores. E para ajudar, Paulo Nascimento ainda revela que mais um indicador crescente nas pesquisas do IPEA é referente aos salários. "Existe um avanço salarial, que pode ser decorrente de um mercado aquecido: não havendo muitos profissionais desempregados, temos um cenário de escassez que eleva a remuneração." Ele também afirma que parte desse aumento de salário é na verdade uma recuperação salarial, pois nas décadas de 80 e 90 existiu uma grande desvalorização da profissão.
Fonte: Câmara de Comércio Brasil-Alemanha

0 Responses

Postar um comentário