Vídeos Interessantes > A Piracema do Salmão no Canadá




É no outono que o salmão selvagem do Pacífico volta à Colúmbia Britânica para desovar. Acontece só uma vez por ano, mas é suficiente para alimentar toda a floresta. Árvores, animais, insetos, todos dependem da fantástica piracema do salmão.

Um palmo d’água às vezes é o suficiente. Um riachinho, apesar de raso, é o lugar onde salmões nasceram, dois anos atrás. E o instinto natural faz com que eles voltem exatamente ao mesmo lugar onde foram desovados e tentem subir o rio para cumprir o ciclo.

A ciência ainda não sabe explicar essa jornada monumental. Pesquisadores acham que o salmão se guia pelas estrelas para voltar ao lugar onde nasceu. Ao chegar à costa canadense, o olfato entraria em ação, indicando aos cardumes qual o riacho a subir.

A escolha é precisa: os cardumes não erram nunca. Graças a isso, as famílias não se misturam. E cada um dos cinco mil rios da região tem sua própria subespécie de salmão, com características únicas.


A corrida do salmão é um banquete para a floresta. As baleias jubarte vêm de longe para aproveitar. As orcas já se instalaram na região. Os ursos comem sem parar. Fazem estoque de gordura para sobreviver ao longo sono do inverno.

O peixe também explica a concentração de águias americanas. No Canadá e no vizinho Alaska, também território de salmão, vivem 80% dessas aves.

É impressionante a transformação que acontece com este peixe na hora de procriar. Uma corcunda aparece apenas na hora em que ele começa a subir o rio na direção do lugar onde vai desovar.

Os sobreviventes seguem rio acima para cumprir seu destino. Nadam loucamente contra a correnteza e todos os obstáculos. Alguns parecem mortos-vivos, flutuam quase sem sair do lugar. O corpo vai se desintegrando. Os mais fortes fazem paradas para recuperar o fôlego.

A saga termina de forma trágica: os que conseguem chegar ao fim do corrida morrem logo após a desova. Mesmo assim, a renovação da espécie ainda não está garantida: as ovas rosadas do salmão são petisco cobiçado por outros animais. As gaivotas não deixam passar.
Um passarinho mergulha de cabeça na história. O dipper não sabe nadar, mas tem excelente pontaria. O bico nunca volta vazio. Pode parecer cruel, tanto esforço acabar na ponta de um bico faminto. Mas os predadores da floresta só pegam o que comem. E fazem parte de uma convivência construída ao longo de milhares de anos.

É a regra deste jogo: quando o homem não interfere, a natureza encontra, sozinha, o seu equilíbrio.

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Fonte: Globoreporter
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