Egito







A ideia de ligar o Mar Vermelho ao Mediterrâneo já vem dos tempos do antigo Egipo. A solução encontrada na época foi a ligação do Mar Vermelho ao rio Nilo. Após a invasão do Egito pelos Persas no séc VI aC, o rei Dário, completou a obra inacabada. O sistema estava dividido em duas partes: Um canal que ligava o golfo de Suez aos lagos Amargos e um outro que ligava os lagos ao Nilo. Depois da era Ptolomaica o canal assoreou com as areias do deserto e tanto os romanos, no tempo de Trajano, como mais tarde os árabes, com o califa Omar, reconstroem o canal ,sendo uma via vital de comunicação. Com o tempo, o deserto e as suas areias, voltaram a impôr a sua lei e a descoberta no séc. XV pelos portugueses da rota da Índia, através do cabo da Boa Esperança, votou o canal ao completo esquecimento.
Em 1541, D.João de Castro, no seu roteiro do Mar Vermelho ,fala deste canal. Os venezianos ao verem em perigo o seu comércio, por causa da nova rota das especiarias, tentam a reabertura do canal através de negociações com o Egito. Devido à ocupação turca entre 1517 e 1805 esta possibilidade foi posta de lado. Em 1671, o matemático Leibniz chega a propor a Luis XIV a abertura do istmo, ideia já avançada antes por Alexandre. No início do séc. XVI, ao tomar conhecimento deste projecto, Afonso de Albuquerque, que tentava então ter o domínio do mar Vermelho, encara a hipótese de recrutar empreiteiros de aterros da Madeira, especialistas em escavar terra.
Durante a campanha do Egito, Napoleão interessa-se pelo assunto e encarrega Charles Lepère de elaborar um estudo. Em 1832, um feliz acontecimento põe nas mãos de Ferdinand Lesseps, então vice-consul da França no Egito, este estudo, que propõe seguir o antigo traçado faraônico. A ideia de unir diretamente o Mar Vermelho ao Mediterrâneo é, no entanto, a opção de Lesseps. Só mais tarde, em 1854, quando Mohammed Saïd sobe ao poder por causa da morte do vice-rei Abbas Pachá, é que Lesseps, graças à amizade que o une ao novo monarca, consegue fazer vingar o seu sonho. É, então, constituída a Compagnie Universelle du Canal Maritime du Suez de que Lesseps é naturalmente o administrador.

Ferdinand de Lesseps Mohammed Saïd Ismail Pacha
Ferdinand de Lesseps Mohammed Saïd Ismail Pacha

Em 1859 começam as obras. As dificuldades foram imensas e o sucessor de Mohammed Saïd, Ismail Pachá, opôs-se ao sistema de recrutamento dos operários egípcios, que já na época foi descrito como de autêntica escravatura. Estimou-se a morte de mais de 120.000 operários durante a construção do canal por causa do surto de cólera.
A 15 de Agosto de 1869, as águas do Mar Vermelho entraram nos lagos Amargos que já recebiam as águas do Mediterrâneo através do lago Timsah. A inauguração, que se realizou no dia 17 de Novembro de 1869 no meio de grandes e exuberantes festejos, foi presenciada por Eça de Queiroz que publicou no Diário de Notícias o relato do acontecimento com o títul oDe Port-Said a Suez ou Carta sobrea a inauguração do Canal de Suez, inserida nas Notas Contemporâneas. O Cairo, capital do Egito, sofreu profundas alterações como uma ligação rodoviária com Ismailia e a construção propositada de um teatro para que, durante a inauguração, pudesse ser representada a ópera Aida encomendada propositadamente a Verdi, que não chegou a acabá-la a tempo.


Inauguração do Canal de Suez

Foram convidados representantes da França, Inglaterra, Rússia e outras casas reais. Portugal não esteve oficialmente representado já que a corveta Estephânia desarvorou quando ia a caminho tendo regressado a Lisboa. O iate Aigle, com a imperatriz Eugênia e Lesseps a bordo, iniciou o cortejo que partiu de Port-Said. A intervalos de quarto de hora, seguiram o Greif com o imperador Francisco José, a fragata Herta do príncipe herdeiro da Prússia, o iate holandês com príncipe e a princesa dos Países-Baixos, o navio russo com o grão-duque Miguel e o general Ignatiev em representação do Czar, o Phyché com o embaixador da Grã-Bretanha em Constantinopla e cerca de mais 50 outros navios entre os quais o Fayoum que transportava o conde de Resende e Eça de Queiroz. As festas, que custaram ao kediva 37 milhões de francos, realizaram-se no dia seguinte em Ismailia. Partiram de novo no dia 19 e a 20 chegaram a Suez. Dez dias após a inauguração a barca Viajante acabou por ser o primeiro barco português a atravessar o canal.
Em 1875 o kediva estava em grandes dificuldades financeiras. A Grã-Bretanha, através do então primeiro ministro Disraeli, que assumiu toda responsabilidade do ato, comprou a totalidade das ações do kediva no valor de 4 milhões de libras, ficando assim com o controle do canal, vital para a ligação com a Índia inglesa.
O fato de alguns países ocidentais, como a França, Inglaterra e os Estados Unidos, terem recusado um empréstimo para a construção da barragem de Assuão, fez com que o presidente egípcio Nasser, retaliasse com a nacionalização do canal em 1956. Os lucros obtidos através da companhia do canal de Suez ajudariam assim o projeto da barragem. Em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, Israel ocupou a penísula do Sinai, obrigando os egípcios a afundar 40 navios no canal de modo a encerrá-lo. Durante este periodo constroem-se os maiores petroleiros que voltaram a cruzar a velha rota do cabo. Só em 1975 Sadat obtém a paz com Israel reabrindo o canal ao tráfego.


Canal de Suez entre Port-Said e Suez

O canal de Suez é o maior canal sem comportas e desde o Mediterrâneo até ao Mar Vermelho passa por três lagos. A norte o lago Manzala, depois o lago Timsah e ao sul os lagos Amargos. Trinta dos 162 Km do total do canal, com 70 metros de largo e cerca de 8 metros profundidade, vão através dos lagos Amargos. Passam diariamente por esta via cerca de 100 embarcações.

Fonte: Associação Nacional de Cruzeiros ( www.ancruzeiros.pt )
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